Editorial da edição zero

do Jornal da Cidade

Leia o editorial da edição zero e entenda o propósito do Jornal da Cidade GV.

 

Em uma época na qual os jornais impressos estão desaparecendo, e quase toda a comunicação se propaga pelo mundo digital, especialmente pelas redes sociais, é preciso ter coragem para remar contra a maré. A edição número zero do Jornal da Cidade chega com essa coragem, mas com a certeza de que não estamos sós. A força do remo contra a maré não é exclusividade nossa. Temos a companhia de Umberto Eco e Jean-Claude Carriére, autores da obra Não contem com o fim do livro. 


“O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados”. Assim falou Umberto Eco, na prosa que resultou dos encontros realizados com o dramaturgo e roteirista Jean-Claude Carrière. 


Nas tertúlias desses autores, ficou registrada uma indagação que vale ser registrada: “...mas quem garante, por exemplo, que essa formidável invenção que é a internet não virá a desaparecer no futuro?” E ao desconfiar da longevidade da internet, como meio preferencial de leitura, Eco vaticinou: “Passe duas horas lendo um romance em seu computador, e seus olhos viram bolas de tênis”. E disse mais: “o computador depende da eletricidade e não pode ser lido numa banheira e tampouco deitado na cama”.

 

As ideias de Eco e Carrière foram postas à mesa para serem contestadas. Enquanto o leitor vai buscando argumentos para contestá-las, o Jornal da Cidade informa que também vai se apresentar no formato digital, ou seja, será  impresso e digital, para navegar no infomar, naquela jangada imaginária cantada por Gilberto Gil, na música Pela Internet. E vai fazer valer os versos de Gil: “Eu quero entrar na rede/ Promover um debate/ Juntar via Internet/ Um grupo de tietes de Connecticut”.


Em breve vamos criar o nosso website, fazer a nossa homepage e saber com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje nesse infomar, porque temos muito a noticiar, abrir espaço para a pluralidade de pensamentos, mostrar a vida cotidiana dessa cidade. E, quem sabe, de Connecticut.


Frigindo os ovos: não contem com o fim dos jornais impressos. Se você lê essa edição agora, é porque o jornal impresso não acabou. E se você entrar nas nossas redes sociais verá que o debate será saudável, com tietes daqui e de Connecticut.


Mas, de quem é esse jornal? A pergunta recorrente pode estar na cabeça de quem folheia um jornal pela primeira vez, e de quem folheia essa edição. A motivação para a pergunta pode ser mera curiosidade ou desconfiança, que atiça outra questão: quem banca esse jornal? É natural que as interrogações orbitem a cabeça do leitor. Desde a criação dos tipos móveis e a sua utilização nas oficinas de Johannes Gutenberg, tido como o inventor da imprensa naqueles áureos anos da idade média, a imprensa, ao mesmo tempo que democratizou o acesso à informação, substituindo a pena do escriba pelos tipos e a prensa, vive sob o controle de alguém a controlar alguém.


Pensamentos assim se originam de uma velha prática do jornalismo, a de movimentar as engrenagens dos interesses do poder central ou interesses particulares. Mas  não faremos isso. O Jornal da Cidade é nosso, da cidade. Sua linha editorial terá a cobertura da nossa vida cotidiana, dos nossos cidadãos e cidadãs. Plural, vai assumir os interesses coletivos, registrando a história recente e preservando a história passada, como forma de elucidar o que acontece no momento. Plural na pauta e no respeito às opiniões. 


Nesta edição, denominada “zero”, o leitor terá uma prévia do que vem por aí. Política, Cotidiano, Esportes, História, Moda, Literatura, Opinião são algumas das editorias que apresentamos. Outras terão lugar nas páginas a partir das próximas edições. 
Nossa periodicidade será semanal, com circulação sempre aos domingos. O número zero, excepcionalmente circula na quarta-feira, 4 de dezembro, por questões industriais e jornalísticas, também porque o momento é de celebração. Ter as luzes de Natal como notícia é um fato marcante.


Seguimos a nossa lida. Remar contra a maré é um desafio, belo e valente. Muito prazer, Valadares!

 

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